quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A opção pelo Pobrismo em Florianópolis

Florianópolis, capital de Santa Catarina e uma das cidades brasileiras com maior potencial turístico devido à sua natureza privilegiada e qualidade de vida, naturalmente recebe por esses motivos um grande fluxo de novos moradores e empreendimentos. A cidade, como é de se esperar, cresce em ritmo acelerado e acima da capacidade do poder público intervir. Por ter mais da metade de seu território classificado como área de preservação, entre morros luxuriantes, lagoas, mangues e dunas, a pressão populacional acaba muitas vezes levando a ocupações irregulares. Crescem favelas para cima dos morros, constroem-se casas on de elas não deviam existir, vielas estreitas espalham-se por toda a ilha sem qualquer planejamento. As consequências nós sentimos na pele: poluição das praias e lagoas, deslizamentos de terra, inundações, trânsito insuportável, ausência de passeios para pedestres e arborização inexistente. A qualidade de vida que atrai as pessoas para cá vai se perdendo aos poucos, e o que é pior, de maneira irremediável. À medida em que se ocupa em grande escala o espaço que deveria ser mantido livre, não sobra espaço para a correção futura dos problemas acima citados. O que me surpreende é corpo-mole do poder público e de parte da sociedade em coibir esse tipo de ocupação, ao mesmo tempo que expulsam da cidade empreendimentos que seriam vantajosos para a população. Permite-se a favelização da cidade, mas a construção de hotéis, marinas e condomínios de qualidade são barrados, apesar da certeza que empreendimentos desse porte seguiriam as normas e estariam obviamente sujeitos a uma fiscalização mais eficiente. Sem contar as vantagens em termos de renda e emprego para o município, assim como o comprometimento de muitos destes projetos em conservar um percentual grande de área verde e tratar seus efluentes sanitários.

Chamamos este tipo de visão de "Pobrismo". Sua origem está no aparelhamento esquerdista das ongs, universidades, Ministério Público e órgãos ambientais. O combate ao capital é o que norteia suas decisões, embora boa parte de seus militantes tenha um padrão de vida melhor que o restante da população, e habite o mesmo tipo de espaço que dizem querer preservar. Em nome de uma suposta justiça social, destrói-se e inviabiliza-se uma cidade. Que fique claro, não trata-se de crucificar os pobres em detrimento dos mais abastados, mas sim exigir de ambos, e com o mesmo rigor, o mero cumprimento da lei.

Essa longa introdução serve apenas para comentar uma notícia que tomei conhecimento hoje pela internet, e que está diretamente ligada ao assunto:

Grupo árabe quer marina na capital. Prevista para a Lagoa da Conceição, me antecipo e lhes dou a garantia de que não sairá do papel. Alguém aceita apostar? Os radicais do chá-verde acabarão levando os árabes a investir seu farto dinheirinho em alguma outra cidade próxima, para manter nossas águas preservadas dos perversos capitalistas. Dubai, nem pensar! O Pobrismo advoga para nós um futuro muito mais interessante, talvez algo próximo do que existe em uma outra ilha: Cuba. Não a Cuba dos turistas, das belas praias e hotéis, e sim a Cuba das casas em ruínas e das pessoas que mal tem o que comer e que se arriscam em meio aos tubarões para tentar fugir do paraíso socialista. Pelo menos aqui poderemos fugir pelas pontes...

Abaixo, vista geral de uma marina em Dubai, atual meca mundial da arquitetura e urbanismo. Na outra foto, aspecto geral das ruas de Havana, capital de Cuba, com seus prédios históricos caindo aos pedaços.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Meus primeiros 1.000 acessos!

Pelo menos é o que me diz o contador aí ao lado... Vambora! Devagar e sempre!

Sessão musiquinha atrasada: Ella and Louis

Esse final de semana não postei nenhuma música no blog. Hoje, porém, descobri uma preciosidade que gostaria de compartilhar com quem tiver interesse. Tomando um choppinho na Lagoa da Conceição, tentando derrotar o calor que estava me derrotando, escutei algo que me chamou a atenção: um CD de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, de 1956, chamado Ella & Louis. Chegando em casa, busquei na internet e encontrei essa pérola. Aqui está o link para quem quiser fazer o download. Vão por mim, vale a pena. Coisa de primeira. Abaixo, uma pequena amostra do que irão encontrar baixando (ou ao contrário de mim, comprando) o CD.

Stars Fell on Alabama

Pesquisa CNT/Sensus 2: Chapa Serra/Aécio atropela qualquer outra

Chapa Serra-Aécio vence dupla Dilma-Temer, diz pesquisa CNT-Sensus

A população brasileira aprova uma chapa "puro sangue" do PSDB nas eleições presidenciais de 2010 de acordo com a pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira. A pesquisa mostra que uma chapa integrada pelos governadores José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG) para presidente e vice-presidente da República derrotaria candidatos governistas em todos os cenários apontados pela sondagem.

A pesquisa mostra que, com Serra na cabeça de chapa e Aécio na vice, o PSDB venceria as eleições com 35,8% dos votos, seguido pela chapa Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB), que receberia 23,9% dos votos.

Em terceiro lugar aparece a chapa integrada pelo deputado Ciro Gomes (PSB) na presidência, e o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), na vice-presidência, com 16,1% dos votos. A chapa da senadora Marina Silva (PV) com o empresário Guilherme Peirão Leal (Natura) receberia 5,2% dos votos. Outros 19,2% dos eleitores não responderam ou votariam em branco/nulo.

A CNT/Sensus mostra que, se Aécio sair como cabeça de chapa, a dupla tucana também venceria a disputa direta com Dilma e Temer.

Segundo a pesquisa, a chapa Aécio-Serra receberia 31% dos votos, seguida por Dilma-Temer, com 22,6% dos votos. Em terceiro lugar aparece a chapa Ciro-Lupi, com 18,1%, seguidos por Marina-Leal, com 5,3%. Os votos de indecisos, brancos e nulos somam 23,1%.

A pesquisa também mostra que, se Aécio decidir formar uma chapa com Ciro, a dupla venceria com folga a disputa de 2010 --com Serra fora do páreo. Segundo a CNT/Sensus, a chapa com Aécio na presidência e Ciro na vice receberia hoje 32,4% dos votos, seguida por Dilma-Temer, com 26,6%. Em terceiro lugar, Marina e Leal receberiam 8,3% dos votos, enquanto 32,8% se mostraram indecisos, ou votaram em branco/nulo.

Na semana passada, Ciro disse publicamente que abriria mão da disputa se Aécio entrar na corrida pelo Palácio do Planalto. Os pré-candidatos não descartaram uma chapa PSDB-PSB, mas Ciro reiterou sua disposição de disputar a presidência da República se Aécio não for candidato pelo PSDB.

Rejeição
A pesquisa mostra que a chapa "puro sangue" do PSDB é a que registra menor rejeição entre os eleitores brasileiros. Segundo a CNT/Sensus, apenas 25,6% não votariam na chapa Serra-Aécio, enquanto na chapa Aécio-Serra a rejeição seria de 27,6%. A chapa Dilma-Temer registrou índice de rejeição de 36,3%, enquanto a capa Ciro-Lupi registrou rejeição de 33,5%. A chapa com maior rejeição é a encabeçada por Marina que, junto com Leal, teve rejeição de 45,3% dos eleitores. A eventual chapa Aécio-Ciro teve rejeição de 31,7% dos eleitores.
A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 16 e 20 de novembro, em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou menos.

Pesquisa CNT/Sensus 1: a farsa da queda de Serra

Ontem o que mais se comentou na internet, ao lado da visita do facínora iraniano ao Brasil, foi a suposta queda de José Serra na última pesquisa CNT/Sensus. Como não é possível enganar todo mundo por todo o tempo, a verdade acabou vindo à tona. E ela demonstrou uma sólida estabilidade nos números do candidato tucano.

No site eagora:

"...Aí a pegadinha: a queda só existe quando se compara o resultado desta rodada da pesquisa, com Ciro Gomes na lista, com o da rodada anterior, sem Ciro Gomes.
Sem Ciro, a intenção de voto em Serra nesta rodada fica estável nos 40%. Com toda a pancadaria dos últimos dias… "

Entrevista com Reinaldo Azevedo - Parte 3/3

Entrevista com Reinaldo Azevedo - Parte 2/3

Entrevista com Reinaldo Azevedo - Parte 1/3

Sua Majestade, a Costela

Sábado passado, mais uma aventura gastronômica. Um dia ainda fico bom nisso.


Serra critica visita de Ahmadinejad ao Brasil

Na Folha de São Paulo:

Visita indesejável

É DESCONFORTÁVEL recebermos no Brasil o chefe de um regime ditatorial e repressivo. Afinal, temos um passado recente de luta contra a ditadura e firmamos na Constituição de 1988 os ideais de democracia e direitos humanos. Uma coisa são relações diplomáticas com ditaduras, outra é hospedar em casa os seus chefes.

O presidente Ahmadinejad, do Irã, acaba de ser reconduzido ao poder por eleições notoriamente fraudulentas. A fraude foi tão ostensiva que dura até hoje no país a onda de revolta desencadeada. Passados vários meses, os participantes de protestos pacíficos são brutalizados por bandos fascistas que não hesitam em assassinar manifestantes indefesos, como a jovem estudante que se tornou símbolo mundial da resistência iraniana. Presos, torturados, sexualmente violentados nas prisões, os opositores são condenados, alguns à morte, em julgamentos monstros que lembram os processos estalinistas de Moscou.

Como reagiríamos se apenas um décimo disso estivesse ocorrendo no Paraguai ou, digamos, em Honduras, onde nos mostramos tão indignados ao condenar a destituição de um presidente? Enquanto em Tegucigalpa nos negamos a aceitar o mínimo contacto com o governo de fato, tem sentido receber de braços abertos o homem cujo ministro da Defesa é procurado pela Interpol devido ao atentado ao centro comunitário judaico em Buenos Aires, que causou em 1994 a morte de 85 pessoas?

A acusação nesse caso não provém dos americanos ou israelenses. Foi por iniciativa do governo argentino que o nome foi incluído na lista dos terroristas buscados pela Justiça. Se Brasília tem dúvidas, por que não pergunta à nossa amiga, a presidente Cristina Kirchner?

Democracia e direitos humanos são indivisíveis e devem ser defendidos em qualquer parte do mundo. É incoerente proceder como se esses valores perdessem importância na razão direta do afastamento geográfico. Tampouco é admissível honrar os que deram a vida para combater a ditadura no Brasil, na Argentina, no Chile e confratenizar-se com os que torturam e condenam à morte os opositores no Irã. Com que autoridade festejaremos em março de 2010 os 25 anos do fim da ditadura e do início da Nova República?

O extremismo e o gosto de provocação em Ahmadinejad o converteram no mais tristemente célebre negador do Holocausto, o diabólico extermínio de milhões de seres humanos, crianças, mulheres, velhos, apenas por serem judeus. Outros milhares foram massacrados por serem ciganos, homossexuais e pessoas com deficiência. O Brasil se orgulha de ter recebido muitos dos sobreviventes desse crime abominável, que não pode ser esquecido nem perdoado, quanto menos negado. O mesmo país que tentou oferecer um pouco de segurança e consolo a vítimas como Stefan Zweig e Anatol Rosenfeld agora estende honras a alguém que usa seu cargo para banalizar o mal absoluto?

As contradições não param por aí. O Brasil aceitou o Tratado de Não Proliferação Nuclear e, juntamente com a Argentina, firmou com a Agência Internacional de Energia Atômica um acordo de salvaguardas que abre nossas instalações nucleares ao escrutínio da ONU. Consolidou com isso suas credenciais de aspirante responsável ao Conselho de Segurança e expoente no mundo de uma cultura de paz ininterrupta há quase 140 anos com todos os vizinhos. Por que depreciar esse patrimônio para abraçar o chefe de um governo contra o qual o Conselho de Segurança cansou de aprovar resoluções não acatadas, exortando-o a deter suas atividades de proliferação?

Enfim, trata-se da indesejável visita de um símbolo da negação de tudo o que explica a projeção do Brasil no mundo. Essa projeção provém não das ameaças de bombas ou da coação econômica, que não praticamos, mas do exemplo de pacifismo e moderação, dos valores de democracia, direitos humanos e tolerância encarnados em nossa Constituição como a mais autêntica expressão da maneira de ser do povo brasileiro.