terça-feira, 16 de novembro de 2010

Tchau, Kassab! Vá procurar tua turma!

Torço para que o DEM honre sua votação e sua história. Se for o caso, e parece que é, do partido passar por uma sangria, que assim seja. Tenho certeza que os melhores nomes permanecerão na legenda. Que todos aqueles inconformados com a obrigação de serem oposição arranjem um jeito e saiam o mais rápido possível. Xô!
Mais vale um partido pequeno, mas homogêneo e compacto do que um partido maior e infestado de pústulas e traidores. Bons nomes o partido tem de sobra, e o espaço para crescer ficou evidenciado na última eleição presidencial, quando a discussão de valores demonstrou que uma grande parte dos brasileiros são conservadores. Muita água ainda vai rolar até 2014, mas é bom que comecem logo a se movimentar e ocupar o espaço disponível.

No Estadão:

De malas prontas

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi convencido por seus pares a desistir da ideia de promover a fusão do DEM com um partido de musculatura mais forte, PSDB ou PMDB.

Em compensação, quem pensa seriamente em deixar o DEM agora é o próprio Kassab. Na verdade "pensar seriamente" é eufemismo, pois o prefeito está praticamente com um pé fora do partido e outro dentro do PMDB. Coisa para março, no máximo.

As malas estão quase todas prontas, faltando apenas alguns acertos com os dois políticos que Gilberto Kassab tem como referência: Jorge Bornhausen, que lhe deu chance de crescer no PFL, e José Serra, que abriu a oportunidade de ser prefeito de São Paulo ao aceitá-lo como vice na eleição municipal de 2004.

A história dessa mudança começou logo após a proclamação do resultado da disputa presidencial. Se José Serra fosse eleito presidente, a perspectiva de Kassab era integrar um novo e grande partido que Serra pensava em criar, arregimentando o DEM e legendas médias que gravitam em torno do governo federal, mas atuam em faixa própria.

Com a derrota o projeto se frustrou. Para Kassab e outros líderes com horizonte político e planos futuros em aberto, o DEM acabou se tornando um endereço arriscado.

O partido que já chegou a ter 100 deputados federais e a contar com a maior bancada no Senado, em menos de dez anos foi reduzido a 43 deputados e 6 senadores.

Mudou de nome, teve sua direção entregue a uma nova geração de políticos, ensaiou uma oposição mais assertiva e nítida, mas não aconteceu.

Aquela nova geração perdeu todas as batalhas. As vitórias foram conseguidas pela velha guarda. Isso se pode dizer tanto em relação à luta contra a CPMF quanto no tocante às últimas eleições. O DEM elegeu dois governadores nos Estados de Agripino Maia (RN) e de Jorge Bornhausen (SC).

Hoje o DEM não tem representação de peso no Congresso, não se pode dizer que tenha uma boa imagem junto à população nem tem a chamada capilaridade necessária a uma retomada do antigo vigor em prazo razoável.

A partir dessa realidade surgiu a ideia da fusão. Primeiro com o PSDB e depois com o PMDB. Os obstáculos, entretanto, se mostraram incontornáveis.

A rejeição a uma incorporação com a legenda dos tucanos é unanimidade no DEM. Mágoas presentes e passadas.

Já sobre a fusão com o PMDB há problemas regionais incontornáveis. Um deles: no Rio Grande do Norte o senador José Agripino não teria condição de entrar no PMDB, partido do vice-presidente da República, porque não poderia se aliar ao governo federal no Senado, oposicionista de quatro costados que é.

Mais uma dificuldade: na Bahia, ACM Neto até aceitaria, mas só se o comando regional da nova formação fosse dele e não de Geddel Vieira Lima, do PMDB.

Diante dos fatos a fusão foi arquivada, mas Kassab continuou com o problema: o que fazer depois que o mandato de prefeito acabar, como expandir o patrimônio político acumulado nos anos de prefeitura?

O futuro no DEM não é risonho, entrar para o PSDB em São Paulo é esbarrar na barreira intransponível do grupo do governador eleito Geraldo Alckmin.

Sobra o PMDB e uma peculiaridade: Orestes Quércia está afastado da política para cuidar de problemas de saúde, Michel Temer como vice da presidente Dilma Rousseff estará referido nas questões federais e o partido em São Paulo precisa de comando.

É a combinação perfeita: Kassab precisa de um nicho para atuar, quem sabe se candidatar ao governo em 2014, e o PMDB paulista é um nicho em busca de alguém que lhe dê atuação. Na última eleição, fez apenas um deputado federal.

Mas não estaria criado o mesmo problema levantado por Agripino Maia?

Não. Primeiro porque Kassab não vota no Congresso e segundo porque o PMDB dispõe de cidadelas independentes (em SP apoiou Serra) País afora.

Resta a questão da fidelidade partidária. Como sair sem correr o risco de perder o mandato? Kassab e os deputados que iriam com ele.

Só é permitido em dois casos: fusão e divergência programática.

Talvez com a tendência de se caracterizar como partido claramente conservador, sem máscaras, o DEM tenha dado a Kassab a solução.

Roubo! Quase metade do que Santa Catarina arrecada não é devolvido ao estado!

Isso exlica em parte a vitória governista nos estados "bolsistas" e a vitória da oposição nos estados produtores. Num modelo em que nada tem de federativo, as coisas se tornam cada vez mais insustentáveis. Que nossos parlamentares comprem essa briga e defendam aqueles que representam! Enquanto nosso dinheiro se esvai num assistencialismo populista de quinta qualidade, nossa infra-estrutura se decompõe. Os catarinenses pagam, além de seus tributos, um custo elevadíssimo em forma de vidas humanas, em forma de estradas mal conservadas, hospitais insuficientes e saneamento precário. Como está, não pode continuar.

No ClickRBS:

Apenas 59% dos impostos federais retornam para Santa Catarina
Estado tem o quarto pior retorno no ranking nacional, segundo levantamento da Fiesc

Santa Catarina arrecadou de impostos e contribuições federais, no ano passado, R$ 13,479 bilhões, mas recebeu de volta em serviços e investimentos públicos R$ 8,013 bilhões, o equivalente a apenas 59,45% do total. A posição catarinense no ranking de retorno é a quarta pior do país, segundo levantamento feito pela Federação das Indústrias (Fiesc).

Como o Estado fica atrás só de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, que têm condições diferenciadas de arrecadação, dá para dizer que o retorno de tributos federais de Santa Catarina é o pior do Brasil, avalia o presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa. O empresário afirma que a entidade vai cobrar das lideranças políticas catarinenses uma atuação mais rígida junto ao governo federal para ampliar esse retorno. Ele cita como exemplo a Bahia, que arrecadou R$ 9,8 bilhões ano passado e recebeu R$ 22,9 bilhões, 234% mais.

— Temos que integrar as nossas forças políticas para que possamos ampliar o retorno de recursos ao Estado. Precisamos de mais verbas para infraestrutura, segurança pública, saúde, educação, prevenção de calamidades e outras áreas. Temos que cobrar uma revisão dos critérios dessa distribuição — afirma Corrêa.

O levantamento sobre o total arrecadado pelos estados e o retorno em serviços federais foi elaborado pela Fiesc com base nos dados da Receita Federal, Portal da Transparência do governo federal e do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), da Secretaria do Tesouro Nacional.

Pelos dados apurados, São Paulo é o maior arrecadador de impostos federais, com R$ 204,1 bilhões no ano passado, e teve de retorno apenas 17,4% do total. Mas, conforme o presidente da Fiesc, os paulistas têm mais condições de compensar a diferença porque a economia deles é a maior. O segundo pior do ranking é o Rio, com retorno de 25,44% do total. Esse baixo retorno pode ser compensado com os cerca de R$ 7 bilhões anuais de royalties do petróleo. O campeão da lista dos que mais recebem recursos do governo federal é o Acre, que no ano passado contribuiu com R$ 244,750 milhões e foi contemplado com R$ 3,5 bi, 1.442% mais.

— Existe uma desproporcionalidade no retorno de impostos, em favor do Norte e Nordeste, que a gente não consegue entender. Isso mostra que os políticos de lá estão unidos na luta pelos interesses dos seus estados — diz Corrêa, que promete entregar uma cópia do levantamento aos políticos de Santa Catarina.

O secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert, concorda que os estados mais industrializados e mais ricos devem ajudar os mais pobres. Mas alerta que o que acontece hoje é uma incoerência, pois as regiões Norte e Nordeste estão recebendo muito, e o Sul e Sudeste, muito pouco para atender suas necessidades. Ele lamenta que Santa Catarina tem o segundo pior retorno do Fundo de Participação dos Estados (FPE) do país, o que é inexplicável e precisa ser corrigido.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

20.000 acessos!

Chegamos hoje a marca de 20.000 visitas. É pouco, eu sei. Existem blogs que conseguem muito mais que isso em um único dia. Para nosso primeiro ano de existência (começamos dia 24/09/09), e dentro de nossas possibilidades limitadas de tempo, estou satisfeito. Aos poucos vamos melhorando. Temos muito trabalho pela frente e estaremos sempre em guarda na defesa daquilo que acreditamos.

Um brinde a nós!

sábado, 13 de novembro de 2010

Caiado levanta barricadas no DEM contra plano de fusão com PMDB

Na Veja:

Ronaldo Caiado dispara: "Kassab quer vender o DEM"
Parlamentar goiano também ataca Rodrigo Maia, presidente da legenda, e Jorge Bornhausen, presidente de honra do partido. E adverte: "Vou do céu ao inferno nessa luta"
Gabriel Castro

O deputado federal Ronaldo Caiado (DEM - GO) declarou guerra a Gilberto Kassab, seu colega de partido e prefeito de São Paulo. Em entrevista ao site de VEJA, o parlamentar - um dos vice-presidentes da legenda - atribuiu a Kassab a tentativa de "vender" o DEM. Para Caiado, a fusão do partido com o PMDB significaria o fim da oposição no país. Ex-líder do partido na Câmara e candidato derrotado à Presidência em 1989, o deputado tem sido a voz mais incisiva contra o grupo de Kassab - e deixa claras as tensões internas dentro da legenda. O presidente do partido, Rodrigo Maia, e o presidente de honra da legenda, Jorge Bornhausen, também são alvo das críticas de Caiado. Além do parlamentar, outros nomes do partido, como os senadores Agripino Maia e Demóstenes Torres, criticaram a ideia de fusão. O deputado se diz preparado para um confronto. E adverte: "Eles ainda não nos conhecem no combate".

O DEM corre o risco de uma divisão?

Se essas pessoas continuarem com esse pensamento, ou se Kassab conseguir atrair mais alguém para esse plano de entregar o partido ao PMDB, acho que vai ter uma ruptura. Não dá para conviver com pessoas que querem desestabilizar a oposição no país. São fisiológicos e governistas. Se o Kassab der conta de levar o grupo dele, vai ter uma ruptura inevitável. Mas eu acredito que vai prevaler o bom senso e que os demais líderes pensarão no partido como um todo.

O partido perdeu muitas cadeiras na Câmara e no Senado. É o caso de se refundar o DEM?

Quando o Jorge Bornhausen era presidente, nós caímos de 105 para 83 deputados. Foi uma grande perda. Naquele momento ninguém teve que refundar o partido. Qual é a pauta que foi feita pelo Rodrigo Maia? Você conhece alguma? Você sabe de algum dia que o Rodrigo Maia pautou a agenda da executiva nacional do partido? Ele foi 100% pautado pelo Kassab e pelo Jorge. Ou por acaso o projeto Serra era a executiva do partido? Era a fatura do Kassab, apoiado pelo Serra na disputa pela prefeitura de São Paulo, em 2008, que nós tínhamos de pagar.

O senhor era contra o apoio a José Serra?

Não estou falando que era contra. A questão é como as coisas se articularam. O apoio veio como um prato feito, empurrado goela abaixo do partido.

Por que o partido parece ter dificudade em defender mais claramente seu programa?

Infelizmente nós temos ainda uma gama de políticos que têm esse perfil. O partido está escalado para ser oposição pelas urnas. Mas tem cidadão que não consegue viver como oposição. É o caso do Kassab. Ele é um homem que imagina que na democracia só pode ter governo. Ele é da tese do Golbery [ex-ministro Golbery do Couto e Silva]: “Fora do poder não há salvação”. Não tem noção de democracia. É preciso ter um mínimo de respeito pelos eleitores que votaram em nós. A posição do Kassab é essa: marcar gol contra para levar a cabo o que o Lula disse, provocar a total extinção do partido.

A fusão com o PMDB tem chances de ocorrer?

É inimaginável. Tanto é que eles estão acovardados com essa tese, estão mudando o discurso: agora não é fusão mais, é fortalecimento partidário. Eles viram que não têm como levar essa tese para a população. Então eles vêm com essa enganação, que é falar em o fortalecimento do partido para tomar a presidência, convocar uma convenção nacional e aderir ao PMDB antes de 30 de setembro, para ter tempo de rádio e televisão nas eleições de 2012.

Até onde o senhor está disposto a brigar pelo DEM?

Se o Kassab acha que é dono do partido e pode olhar para o umbigo dele e pisar na história política dos outros está muito enganado. Ele, em Goiás, vai ter o Ronaldo Caiado pela frente.

Se houver a fusão, que rumo o senhor tomaria?

Você pode ter certeza absoluta que isso não vai acontecer. Eles ainda não nos conhecem no combate. Eles não têm força nem credibilidade moral para fazer isso. É um processo deplorável, deprimente. Um partido de ser oposição ser negociado, vendido. É fazer o jogo daqueles que capitulam, como na Venezuela. Entregar a oposição apenas para 53 parlamentares do PSDB, que nunca foi um partido de oposição. O partido de oposição acirrada é o Democratas. Matar o partido é calar a oposição no Brasil. Isso é muito grave. Não é um assunto interno do Democratas, é um assunto da sociedade brasileira. Todo brasileiro deveria repudiar essa atitude. É um partido de oposição querendo entrar pelas portas do fundo do Palácio do Planalto. Não foi para isso que nós fomos eleitos.

O senhor não teme que essa disputa interna deixe sequelas irreconciliáveis?

A minha história não vai ser rasgada e nem desmoralizada pelo senhor Kassab. Tenho vida política, tradição em política e vou do céu ao inferno nessa luta.

Paulo Bornhausen (DEM-SC) convoca sociedade a resistir contra a recriação da CPMF

 Esse é o meu deputado!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Degoladores de crianças comemoram vitória de Dilma

As FARC, grupo terrorista colombiano ligado ao narcotráfico, está dando pulinhos de alegria com a eleição de Dilma Rousseff. Possuem a certeza que terão mais quatro anos de acobertamento para seus crimes e violações, a exemplo dos oito últimos sob o governo do PT. Aliados no Foro de São Paulo, PT e FARC possuem uma antiga simpatia mútua, fato que cobre de vergonha os brasileiros e colombianos. Caberia a Dilma, agora eleita presidente do Brasil, recusar o aperto das mãos sujas de sangue, e se colocar ao lado do governo democrático da Colômbia. 

Aceitar o aceno do terror é o mesmo que cuspir no caixão de milhares de colombianos assassinados brutalmente, entre eles o menino da foto abaixo. Degolado pelos terroristas, teve ainda seu corpo recheado com explosivos e embrulhado em papel antes de ser enviado para uma base militar. Ou da camponesa Elvia Cortés, que por resistir à extorsão do grupo, teve seu pescoço preso a um colar-bomba. A explosão do dispositivo matou Elvia e um policial que tentava a ajudar, deixando outros três feridos. Os filhos dela assistiram tudo a distância.


Leiam abaixo a carta de felicitações dos terroristas à candidata petista:

"Presidente eleita do Brasil, 

Das montanhas da Colômbia, nossa saudação cordial, bolivariana, com desejo de Pátria Grande.
Permita-nos aderir à justificada alegria do grande povo de Luís Carlos Prestes, diante do feito relevante de ter, pela primeira vez na história do Brasil, uma presidente, uma mulher ligada sempre à luta pela justiça.

Presidente Dilma, para você, nosso aplauso e reconhecimento. 

Sua elevação à Presidência da República Federativa, somada à sua pública convicção da necessidade de uma solução política para o conflito interno na Colômbia, aumentou a nossa esperança na possibilidade de alcançar a paz pela via do diálogo e da justiça social. 

Temos certeza de que a nova Presidência do Brasil terá um papel determinante na aclimatação da paz regional e na irmandade dos povos do continente.
Atentamente, 

Secretariado do Estado-maior Central das FARC
Montanhas da Colômbia, 1 de Novembro de 2010"

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Agora tá explicado! Uma mão lava a outra!

Agora que estamos a par das maracutaias do Banco Central para socorrer o Banco Panamericano, cujo maior acionista é o Grupo Sílvio Santos, podemos entender alguns episódios que ocorreram durante as eleições. Lembram de um debate que ocorreria entre os candidatos no Nordeste? Dilma em cima da hora se recusou a participar, o que daria o tempo integral do programa a José Serra, conforme acordo prévio. Acontece que o SBT não cedeu o espaço ao tucano. No episódio em que Serra foi agredido por petistas no Rio, apesar de todas as evidências em contrário, o SBT optou por divulgar apenas a versão em que Serra teria sido atingido por uma bola de papel. Esconderam na maior cara-de-pau que houve de fato uma segunda agressão, bem mais grave.

De bobo, o Sílvio Santos não tem nada. Bobos somos nós.

Quem quer dinheiroooooo?!?!

Brasil, Butão, Dinamarca e a tal felicidade

Reinaldo Azevedo, em sua melhor forma. São duas postagens, que tomei a liberdade de publicar juntas:


Infelizes do Brasil, uni-vos! Há o risco de que vocês comecem a apanhar de vara na rua, mais ou menos como a polícia religiosa faz em certos países islâmicos com o nobre intuito de resguardar a fé. Por lá, levam varadas as mulheres desacompanhadas ou que não se comportam segundo o decoro… Por aqui, as Milícias da Felicidade buscariam enquadrar aqueles que não conseguiram, sei lá, encontrar o ser que os protegesse “contra o não-ser universal, arcano impossível de ler”, como disse o poeta. Se preciso, o estado ministrará aos desafortunados doses do “Soma”, uma droga sem efeitos colaterais, que induz à imediata felicidade, como em Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Nós somos assim: não há bobagem benigna que não estejamos dispostos a experimentar.

A PEC da Felicidade, como está sendo chamada, é de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que acaba de ser reeleito. Certamente ele não vislumbrou nada de mais urgente no país. Hoje, o Artigo 6º da Constituição está assim redigido: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” O senador achou que o paraíso não estava devidamente assegurado e resolveu explicitar a coisa. A redação ficaria assim: “São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.”

Sabem o que é mais fabuloso nisso tudo? As falsas informações que vão circulando, tentando demonstrar que o Brasil estaria seguindo o passo de outros países. A Constituição da França traria assegurado esse direito. A íntegra está aqui. “Felicidade”, em artigo, não tem, não! No preâmbulo, o texto, de 1958, explicita sua adesão aos princípios gerais da Constituição anterior, de 1946, que, com efeito, fica a um passo de instituir o paraíso na terra, mas não chega a tocar na palavra “bonheur” (felicidade), que aparece, sim, no preâmbulo da “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, de 1789, que a Constituição diz ser também um de seus fundamentos.

Também se diz que a Constituição do Japão assegura a felicidade. A íntegra está aqui. Os mistificadores certamente se referem ao Artigo 13. É uma pilantragem intelectual. Ela estabelece que o direito “à vida, à liberdade e à busca da felicidade” deve ser o principal objetivo do legislador, mas atenção!, só na medida em que não agrida o “bem-estar público”. Eu diria que o sentido é contrário àquele alardeado.

O outro país de referência é a gloriosa monarquia do… Butão! Essa bobagem se espalhou depois que Pablo Guimón, do jornal espanhol El País, fez uma reportagem cantando as glórias daquele país, onde o monarca se saiu com a máxima de que, mais importante do que o PIB, é a FIB — ou seja, em vez de os países se notabilizarem pelo seu Produto Interno Bruto, devem ser conhecidos pela Felicidade Interna Bruta. Também no Butão, existem 3% de recalcitrantes: a reportagem do El País informa que 52% da população do país se declarou “feliz”; 45%, muito feliz, e só 3% teve a ousadia de se dizer “infeliz” (mesmo índice que acha Lula “ruim ou péssimo” no Brasil).

Mas eu entendo essa invejável taxa de felicidade bruta do Butão. Só 47% da população é alfabetizada (165º no ranking mundial), a mortalidade infantil é de 45/1000 (131º), e o IDH, 0,619 (132º). O Brasil mesmo é a prova de que a população não precisa nem de esgoto para ser feliz ou para “aprovar” o governo. Monteiro Lobato, que o governo Lula tentou censurar, é que achava que não se podia ser feliz de cócoras, no mato. É claro que sim!
Por Reinaldo Azevedo


Eu tenho um medo, confesso!

Meu medo é que, um dia, os reacionários que pululam na política brasileira queiram adotar no Brasil a Constituição da Dinamarca, por exemplo (aqui). Saibam que, naquele fétido e miserável reino — à diferença do Paraíso Perdido do Butão, que inspirou o nobilíssimo senador Cristovam Buarque —, não tem essa de direito à felicidade coisa nenhuma! A Dinamarca é tão atrasada, mas tão atrasada, que nem mesmo torna a morte inconstitucional, como se faz no Brasil. Levada a nossa Constituição ao pé da letra, um morto não é um morto, mas alguém privado do “direito à vida”.

A Dinamarca também tem um pé na teocracia, de onde resulta o horror que se vive lá. O texto reconhece a Igreja Luterana como oficial e diz que ela será financiada pelo Estado. Marilena Chaui ainda pede um golpe laico e iluminista naquel reino do atraso, com a colaboração de alguns de nossos colunistas. O país vive também sob uma severa ditadura militar. Vejam lá o artigo 80! Forças armadas podem dispersar a multidão em caso de distúrbio público. Só vão tomar o cuidado de fazer três advertências em nome do rei. Se não forem atendidas, porrete! Ah, sim: isso se não forem atacadas antes. Caso o arenque tenha caído mal no almoço e os nativos estejam muito inquietos, o pau come logo de cara. Na ditadura dinamarquesa, o direito de reunião em locais públicos é relativo. Em princípio, pode. Mas a polícia tem o direito de estar presente. Caso se considere que o ato põe em risco a paz pública, a manifestação pode ser proibida.

O Artigo 75 lembra, mas de muito longe, os princípios progressistas do Brasil e do Butão. Mas que se note, hein!? A Dinamarca está na infância dos direitos sociais. A Constituição diz que todo mundo tem direito ao trabalho… Epa! Não é bem assim. Não é exatamente um “direito”. O texto diz que tudo será feito com o objetivo de garantir o acesso ao trabalho — e em nome do bem comum. Sim, o estado proverá aqueles que não puderem se manter, desde que não haja um responsável legal para fazê-lo. Mas o assistido passa a ter algumas obrigações legais.

E a felicidade?

Não! Aquela monarquia teocrática, que tem a coragem de garantir a inviolabilidade da propriedade privada (Artigo 73) e de proibir qualquer restrição ao comércio (Artigo 74), esse país não garante a felicidade de ninguém! Que gente reacionária!

A Dinamarca não conhece Cristovam Buarque e a esquerda brasileira. Entreguem aquele país a esses valentes por uns quatro anos, e os dinamarqueses saberão como é viver no Butão!!!
Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ronaldo Caiado desanca Kassab no Twitter!

Irritado, e com toda razão, sobre os boatos que Kassab quer unir o DEM ao PMDB, o deputado goiano (twitter deputadocaiado) reagiu. Alguns tweets, em ordem cronológica:

Estou ao vivo na @radio730. Vou dar nome aos bois que querem vender o DEM ao PMDB http://bit.ly/dv8FlO Confira!

Se o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, quer mudar de mala e cuia para o PMDB, que vá. DEM não vai pedir o mandato de fisiológico.

Gilberto Kassab se arvora de Luís XIV e acha que o DEM é ele. Está enganado. Não deixaremos que essa traição aos nossos eleitores ocorra.

Esse jogo de quinta coluna, protagonizado por uma minoria paulista, vai acabar. Kassab tem que pensar no todo e não em interesses pessoais

O DEM já está cansado de pagar faturas eleitorais para Gilberto Kassab. Grande parte do apoio a @joseserra_ foi por causa dele.

Dilma vence com 69,6% dos votos válidos... na cadeia!

Lauro Jardim, no Radar on-line:

O votos dos presos no Rio: segundo turno


Assim como em São Paulo, os presos do Rio de Janeiro também preferiram Dilma Rousseff nas urnas. De 478 eleitores aptos a votar, 94 escolheram a petista e 41 preferiram José Serra. O resto ficou distribuído entre detentos que anularam, votaram em branco ou não votaram.

O curioso é que Dilma encolheu nas celas fluminenses. No primeiro turno, 100 eleitores votaram na candidata do PT.