terça-feira, 9 de novembro de 2010

Sobre criar filhos homens


Rapazes revoltados

Recentemente, li um artigo extraordinário sobre o assunto do motivo por que tantos rapazes estão revoltados, chateados e rebeldes. A escritora desse artigo (Tiffani) tem cinco filhos, inclusive dois meninos com as idades de 14 e 2 anos. No laboratório de uma vida familiar feliz, estável e caótica, ela criou essa louca teoria: de que os meninos precisam de homens para lhes ensinar a ser homens. Loucura, não é?

À medida que Tiffani observava os padrões morais, atitudes, ética profissional e senso de responsabilidade da sociedade se deteriorarem, ela não conseguia deixar de especular se a falta de um homem forte na vida dos meninos os transforma de "doces, amorosos menininhos corados" em adolescentes monstruosos. E ela ficou pensando... será que a rebelião na adolescência é uma fase natural da vida, ou será que é causada por algo de que os meninos têm falta?

A premissa da teoria de Tiffani é que as mães precisam saber quando se retirar e deixar seus filhos do sexo masculino aprenderem a ser homens sob a tutela de seus pais (ou figuras paternas). Como todas as mães, Tiffani quer proteger seus meninos de ferimentos. Mas isso é bom a longo prazo? Talvez não. Tiffani está aprendendo quando afastar-se e deixar seu marido assumir a orientação de seus meninos.

À medida que amadurecem, os meninos nem sempre vão querer - ou precisar - proteção. Eles precisam de desafios, aventuras e atos de cavalheirismo. Os pais - os pais fortes - sabem quando afastar a proteção das mães e começar a treinar seus filhos a serem homens. A palavra-chave é treinamento.

O treinamento é decisivo. Meninos sem treinamento crescem e se tornam monstruosos: fora de controle, predatórios em cima das mulheres, irresponsáveis, incapazes ou indispostos a limitar seus impulsos movidos à testosterona para agressão ou sexo. Nossa atual sociedade está toda encardida com os prejuízos que sobraram dos meninos que nunca aprenderam o que é necessário para ser um homem. Lamentavelmente, esses "meninos adultos" muitas vezes procriam indiscriminadamente e despreocupadamente, então se recusam a ser pai para os filhos que eles produzem.

Mas homens treinados transformam a sociedade. Eles trabalham duro. Eles movem coisas pesadas. Eles constroem abrigos. Eles protegem, defendem e resgatam. Eles providenciam provisão para suas famílias. Eles fazem todas as coisas assustadoras, feias e sujas que as mulheres não conseguem (ou não querem) fazer. Homens treinados são, nas palavras do colunista Dennis Prager, a glória da civilização.

Conforme aponta Tiffani, os meninos precisam de homens para ajudá-los a estabelecer sua masculinidade de modo apropriado. Os homens entendem que os meninos precisam de experiências e desafios definidores para cumprir seus papéis biologicamente programados. As mulheres não entendem isso, mas não tem problema. Pais fortes (ou figuras paternas fortes) instintivamente intervirão e começarão a treinar os meninos como domar a testosterona, como trabalhar, como respeitar as mulheres, como liderar e defender e como eliminar ameaças.

O problema começa quando não há um modelo de papel masculino para um menino imitar. Se os homens estão ausentes, enfraquecidos ou indispostos a ensinar os meninos como se conduzir, então os meninos não aprendem como ser homens. É simples assim.

As mães não têm a capacidade de ensinar os meninos a ser homens. Não importa quanto amemos nossos filhos do sexo masculino, não temos essa capacidade. As mães querem ser mães porque, afinal, é o que fazemos. Protegemos, cuidamos e beijamos as feridas dos nossos meninos. Mas chega uma hora na vida de todo menino em que ele precisa se erguer acima dos beijos nas feridas e ser um homem.

Os homens não dão beijos nas feridas. É assim que eles se tornam guerreiros e protetores.

Lembro-me de quando o filho de 13 anos de nosso vizinho andou de bicicleta até nossa casa, uma distância de um quilometro e meio em difícil estrada de terra. Ele levou um tombo desagradável e chegou coberto de arranhões e sangue. Quando lhe perguntei o que havia acontecido, ele explicou sobre o tombo... então acrescentou um sorriso radiante: "Mas não tem problema. Sou menino". Não é preciso dizer mais nada.

Se eu tivesse me descabelado com a situação dele, falando carinhosamente, agindo de forma excessivamente preocupada e beijando seus machucados, eu teria roubado dele a aventura de ter sobrevivido de seu acidente. Ele se orgulhou das cicatrizes de sua batalha, e a última coisa que ele queria era cobri-las com ataduras infantis.

O que acontece quando os meninos não têm um homem forte para lhes ensinar? Os resultados variam de indivíduos fracos e covardes a totais brigões. Dou um exemplo em meu blog sobre uma mulher dominadora com um marido fraco criando dois filhos do sexo masculino. Esses meninos estão crescendo num lar torcido e desordenado que vai contra a natureza humana e a programação biológica, e os meninos vão virar homens abrutalhados.

Meninos que crescem com nada senão a "proteção" de suas mães - sem nenhum homem forte para lhes dar a chance de acabarem com as ameaças - se tornam revoltados e cheios de amargura. Eles sabem que algo está errado. Eles sabem que têm de defender as mulheres, mas eles guardam tanto ressentimento de suas mães por "protegerem" a eles de todos os desafios que o modo como eles veem as mulheres fica distorcido.

Se o marido dessa mulher tivesse desempenhando seu papel como cabeça da casa, esses meninos poderiam ter se tornado homens diferentes. Se ele tivesse resgatado seus filhos do perpétuo amor protetor de sua esposa, seus filhos poderiam ser Homens em Treinamento em vez de Futuros Abrutalhados. Mas temo que seja tarde demais.

Creio que uma parte de criar filhos fortes e equilibrados vem de meninos observando suas mães honrarem seu pai. O lar em que a mãe e o pai respeitam um ao outro por suas várias forças biológicas cria os filhos da forma mais estável e equilibrada possível.

Meu marido e eu não temos filhos para criar e se tornarem homens. Mas nossas meninas estão aprendendo a admirar a verdadeira masculinidade, não potenciais abrutalhados ou fracos e covardes. Ajuda tremendamente que, em nossa vizinhança, estejamos cercados de pais responsáveis que estão criando excelentes rapazes - fortes, prontos para ajudar, protetores das mulheres, ansiando serem heróis.

Com que tipo de homem você pensa que quero que minhas filhas casem algum dia? O Homem de Verdade que assume seu papel biológico de protetor e guerreiro? Ou o Rapaz Revoltado que xinga a mãe e despreza o pai? Qual lhe parece o homem mais equilibrado e firme?

Nada disso é difícil demais de entender - ou, pelo menos, não devia. Infelizmente na cultura andrógina feminista de hoje, esse conceito se tornou motivo de desprezo e zombaria.

  • Patrice Lewis é uma escritora independente e autora do livro "The Home Craft Business: How to Make it Survive and Thrive" (Empresa Doméstica de Artesanato: Como Fazê-la Sobreviver e Prosperar). Ela é cofundadora (com seu marido) de uma empresa doméstica de artigos de madeira. O casal Lewis vive em Idaho, educando em casa suas duas filhas e cuidando de seu gado. Visite o blog dela: http://www.patricelewis.blogspot.com/

Haddad, pede pra sair! Além das falhas nas provas, tema da redação teria vazado!

É hoje absolutamente insustentável a situação do ministro da Educação. Se ele fosse uma pessoa honrada, já teria pedido as contas. Seu ministério prejudicou milhares de brasileiros que tentam entrar para o ensino superior. As provas, como sabemos, foram mal elaboradas e prejudicaram a justa concorrência enrte todos os participantes do exame. Lendo agora o noticiário na internet, fiquei sabendo que existem evidências de que o tema da redação teria vazado, e sabe-se lá quantos alunos foram fazer a prova já sabendo sobre o que escreveriam, contando inclusive com a orientação dos professores de cursinhos. 

Assim não dá, Sr. Ministro! A vergonhosa incompetência do seu ministério pode ter adiado, ou mesmo enterrado, o sonho de milhares de brasileiros que passaram anos se dedicando para este momento. As condições iguais da disputa são uma piada, está na cara. A variação do índice que coloca alguém dentro ou fora de uma universidade é da ordem de centésimos. O mais justo a se fazer, além da elaboração de uma nova prova, por uma equipe externa ao MEC, e a demissão sumária de todos os envolvidos na fraude, seria o ressarcimento de todas as despesas que os estudantes tiveram com deslocamento e alimentação no dia da primeira prova. Seria injusto, porém, com os contribuintes que sustentam o governo, e que teriam que pagar pela falha de terceiros. Sim, eu sei que isso só aconteceria de tivéssemos um governo de pessoas decentes.


PF vê 'indícios' de que vazamento do Enem 'tem fundamento'
De acordo com o professor, estudante teria dito que tema da redação havia sido vazado em São Raimundo Nonato (PI)

A Polícia Federal de Juazeiro (BA) iniciou na segunda-feira, dia 9, as investigações preliminares para apurar denúncia de suposto vazamento do tema da redação do Enem, a partir de denúncia feita por professores de um curso pré-vestibular de Petrolina (PE). A cidade, a 769 quilômetros do Recife, é separada de Juazeiro (BA) pelo Rio São Francisco. "Há indícios de que a história tem fundamento", observou o delegado federal Alexandre de Almeida Lucena.

O delegado colocou uma equipe para fazer um levantamento inicial do ocorrido e coletar nomes de professores e alunos a serem ouvidos. O passo seguinte, se a história tiver consistência, será a instauração de inquérito policial. "Neste caso, vamos buscar saber como se deu (o suposto vazamento) e se alguém recebeu vantagem", afirmou o delegado.

Mais de uma hora antes do início da prova do Enem, no domingo, um grupo de estudantes que faria a prova procurou os professores do Curso Geo Petrolina Pré-Vestibular que haviam montado um ponto de apoio para tirar dúvidas e esclarecer candidatos, próximo à Universidade de Pernambuco (UPE) e da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Petrolina (Facap), locais de realização do concurso. Os candidatos pediam ajuda para desenvolver a redação se o tema fosse "trabalho e escravidão".

De acordo com o professor de português Marcos Freire, um dos estudantes, aluno do curso Geo, disse que o tema da redação havia sido vazado em São Raimundo Nonato (PI) e que ele tinha recebido a informação.

O boato se espalhou e outros candidatos recorreram aos professores. "Na hora não acreditei na história do vazamento, mas atendemos aos alunos, discutindo o tema", disse o professor Marcos Freire.

Os professores Ramón Bandeira e Diego Alcântara também desempenharam o mesmo trabalho, discutindo o assunto com os estudantes, de acordo com o coordenador do Curso Geo, Nivaldo Moreira.

Depois da prova, veio a preocupação dos professores, ao saber da confirmação do tema Trabalho na Construção da Dignidade Humana, com dois textos de apoio, trabalho escravo e futuro do trabalho. "A questão é séria e terminamos nos envolvendo por não termos dado a devida dimensão ao fato", avaliou Freire.

A OAB teve notícia do caso e está averiguando, "com cautela", as informações. A PF investiga a história.

Piñera fala sobre a direita chilena

No Ex-Blog do Cesar Maia:

"ESTAMOS CONSTRUINDO UMA NOVA -CENTRO-DIREITA"!

Trechos da entrevista de Piñera, presidente do Chile - El País (07).

1. A origem dos conceitos de esquerda e direita foi diluída ao longo do tempo. Queremos que a centro-direita seja fiel às suas convicções profundas: um compromisso com os três vetores básicos: primeiro, um sistema político estável, com uma democracia verdadeira, com Estado de Direito, alternância de poder, respeito pelos direitos humanos, liberdade expressão. Segundo, uma economia de mercado livre, aberta, competitiva, integrada ao mundo; e terceiro, um sistema social em que o Estado possa garantir a todos o mínimo compatível com a dignidade humana e, portanto, que seja o mais poderoso aliado na luta contra a pobreza e a desigualdade.

2. Nesta sociedade do conhecimento deve-se construir quatro pilares complementares: uma revolução na qualidade dos recursos humanos, na educação e formação; uma revolução nos investimentos em ciência e tecnologia; uma nova cultura da inovação e empreendedorismo, e uma sociedade flexível para que se possa adaptar as mudanças, que é a única constante nos tempos modernos.

3. A centro-direita no Chile passou 20 anos na oposição. Muitos acreditavam que iríamos morrer ali, mas nunca perdemos a fé nas nossas convicções: um conceito abrangente da liberdade na política – a democracia - na economia – a economia social de mercado – e no social - a igualdade de oportunidades. E temos demonstrado que o mito de que o Chile era um país culturalmente de centro-esquerda não era verdade. Hoje nós temos um apoio que é de cerca de dois terços dos chilenos. Estamos construindo uma nova direita em nosso país, longe dos totalitarismos e dos abusos aos direitos humanos, e muito comprometida com a liberdade e o futuro.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ah, Lula, vá rachar uma lenha! Por que no te callas?

Não sou nenhum especialista em economia, mas pelo pouco que leio do assunto tenho a impressão que Lula deveria ficar caladinho sobre o câmbio. O Real supervalorizado pode mesmo ter alguma influência da desvalorização das moedas americana e chinesa. Acontece que nossa moeda é a que mais se valoriza no mundo, consequência da maior taxa de juros existente. Com a entrada abundante de dólares para financiar nossa dívida pública, o Real não tem outro caminho a seguir que sempre para o alto. Irresponsavelmente, nosso governo ignora os fatos e se faz de louco para passar bem. Antes de mais nada, deveria reduzir sua dívida para que pudesse pagar juros menores. Age exatamente no sentido oposto, criando cada vez mais despesas. Segundo, deveria ter coragem de assumir o ônus político de permitir a desvalorização da moeda. Por que não o faz? Porque é dirigido por um populista de quinta categoria que quer manter a sensação, mesmo que artificial, de um bom poder de compra da população, enquanto permite que as empresas nacionais sejam massacradas pelas concorrentes externas, impossibilitadas de exportar com um câmbio tão desfavorável. A entrada destes dólares das exportações, sim, seriam benvindos. Teríamos uma moeda forte proveniente do vigor de nosso comércio, e não de nossa taxa de juros. Ganharíamos todos. Mas não é o que acontece.

Resumindo, para agradar seu eleitorado, o governo está endividando crescentemente o país.  É como se enchêssemos nossos carrinhos no supermercado todos os meses com o cheque especial, nos empanturrando de guloseimas e empurrando a encrenca para frente. Obviamente não dará certo.

Mas sabem o que é mais espantoso? Apesar de se recusar a fazer sua lição de casa, Lula se acha no direito de dar pitacos sobre o câmbio aos americanos e chineses. Eta, tipinho que não se enxerga...

domingo, 7 de novembro de 2010

Só pra constar: 6 em cada 10 brasileiros não apóiam a futura presidente

Usei este cálculo em uma discussão na internet. Segue um resuminho abaixo:

Segundo dados do TSE (http://divulgacao.tse.gov.br/)
Regrinha de 3, que aprendi faz um bom tempo tempo e me é sempre muito útil...

Eleitorado: 135.804.433
Votação da Dilma: 55.752.529

Fazendo as contas, temos que:
135.804.433 ------100%
55.752.529 ------ X%

X= (55.752.529 x 100) /135.804.433
X= 41%

Portanto, se 41% dos eleitores votaram em Dilma, 59% (Serra + abstenções + brancos + nulos) preferiram não apóiar a candidata petista. Se formos arredondar, 6 em cada 10 brasileiros não apóiam a futura presidente. Simples, né?

sábado, 6 de novembro de 2010

Você trabalha 5 meses apenas para pagar impostos. Dilma acha pouco e quer mais.


DEM conclama oposição a se unir para impedir reedição do tributo

O DEM divulgou ontem nota repudiando a tentativa da presidente eleita, Dilma Rousseff, de recriar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), qualificada pelo partido como "o famigerado imposto do cheque". A CPMF acabou em dezembro de 2007, depois que as oposições se uniram a alguns senadores governistas dissidentes e rejeitaram a proposta de sua prorrogação.

Para o líder do DEM, deputado Paulo Bornhausen (SC), que assina a nota, a "convocação" da presidente eleita aos governadores, para assumirem o movimento pela volta do imposto, é um "capricho vingativo do atual presidente da República".

Bornhausen disse que o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) logo após o fim da CPMF e o constante aumento da arrecadação de tributos alimentaram os cofres públicos com mais recursos do que os gerados pelo imposto do cheque.

O DEM conclamou a oposição no Congresso e nos Executivos e Legislativos estaduais a se unir para impedir a volta da CPMF.

Já o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), vice-líder da oposição, afirmou em discurso na Câmara que o presidente Lula "mente" ao afirmar que faltou dinheiro para a saúde. Citando números da Receita Federal e do Tesouro Nacional sobre aumento na arrecadação de impostos, Hauly disse que "nem sempre os interesses do Planalto são os da nação. É o caso dessa famigerada contribuição para a saúde".

OAB. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, considerou "preocupante" o fato de Dilma ter declarado estar havendo pressão dos governadores pela volta da CPMF. "Sem se falar numa reforma tributária é efetivamente querer jogar nos braços da sociedade toda uma responsabilidade para manter o Estado", afirmou Cavalcante, que participou, em Curitiba, de almoço na Associação Comercial do Paraná (ACP).

Segundo ele, a questão do financiamento da saúde precisa ser discutida por todos os brasileiros. "Mas não será à custa da sociedade que vamos resolver o problema", ressaltou.

Ophir disse que o trabalhador já é sacrificado pagando em impostos o correspondente a cerca de cinco meses de salário e não seria justo aumentar ainda mais o peso sobre eles para "atender ao problema de caixa" dos Estados. "Nós estaremos na contramão mais uma vez de tudo que precisamos. Ao invés de desonerar estaremos onerando ainda mais o empresariado, mormente as empresas familiares deste país que não aguentam mais essa alta carga tributária."

Rodrigo Maia: DEM deverá ter candidato próprio em 2014

É o mínimo que podem fazer, caso não queiram ser extintos. Espaço político e bons candidatos não faltam. Não percam tempo. Quatro anos passam voando.

Leiam a entrevista do deputado Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, ao blog do Josias de Souza:

- Que tipo de oposição o DEM fará ao governo Dilma? 
O eleitor decidiu pela continuidade. Voto no Lula, não na Dilma. É o terceiro mandato do Lula por meio da Dilma. Legítimo. Entraremos no nono ano do governo Lula. É um governo velho. Por isso, a oposição não deve aguardar.

- Não pretendem conceder nem aquela trégua usual de cem dias? 
Não vejo razões. A Dilma prometeu 1 milhão de casas. Entregou 200 mil. Prometeu mais 2 milhões. Vamos cobrar 2,8 milhões de casas. O PAC registra execução de 40%. Vamos cobrar os outros 60%. Não se justifica esperar três meses. Lula disse que só fez um bom governo por causa da Dilma. Se é assim, ela vai tocar tudo já no dia 2 de janeiro.  

- Lula chamou a oposição de raivosa. O que achou? 
Raivoso sempre foi o Lula. Na oposição, eles votaram contra tudo e contra todos. Rejeitaram de Tancredo Neves ao Plano Real. No governo, Lula partiu para cima dos principais líderes da oposição. Não para derrotá-los democraticamente, mas para agredi-los. Disse que iria extirpar o DEM.   

- Em 2014, o DEM vai se coligar novamente com o PSDB? 
Nossa prioridade é dar sequencia à renovação do partido, iniciada em 2007. O DEM deve ter a coragem de expor com clareza as teses que defende, solidificando-se como legenda de centro-direita. Aprofundaremos nossas posições em temas como saúde, segurança pública e redução da carga tributária. 

- E quanto a 2014? 
Acho que o partido tem nomes para sustentar uma candidatura própria. Essa tem que ser a nossa prioridade. Nas últimas eleições, faltou à oposição, no segundo turno, a possibilidade de agregar candidatos do seu campo. Fomos buscar eleitores de candidatos com o DNA petista. É o caso da Marina Silva, do Cristovam Buarque e da Heloisa Helena. Em 2010, o Lula estava tão forte que, separados, teríamos dificuldade inclusive de produzir o segundo turno. Acertamos. Para 2014, DEM e PSDB devem construir os seus projetos em conjunto, mas em vias paralelas. Juntos no Congresso e nas eleições municipais de 2012, mas cada em condições de chegar a 2014 com candidatos próprios.

- Poderia citar um quadro do DEM em condições de ser presidenciável?  
Há muitos. Para citar apenas alguns: os senadores Demóstenes Torres, Agripino Maia e Kátia Abreu, além do prefeito Gilberto Kassab. Não precisamos entrar numa eleição só com o objetivo de ganhar eleitoralmente. A Marina sabia que não seria vencedora. Mas teve uma grande vitória política. Temos de nos posicionar para ter um espaço de liderança, não de liderado do PSDB. Podemos representar algo como 20% do eleitorado brasileiro.

- José Serra ou Aécio Neves?  
O Serra, pela energia que mostrou no segundo turno, tem muito a agregar com a sua experiência. Não se pode negar que o nome que saiu mais forte desse processo foi o de Aécio Neves, um líder que nasce naturalmente. Isso não significa que o PSDB tenha apenas um nome nem que o DEM tenha de abdicar do projeto de candidatura própria. 

- Na hipótese de não vingar a candidatura própria, diria que Aécio agrega mais? 
O nome do Aécio agrega o DEM. Se é mais, não sei. Não posso negar que Aécio tem influência em grandes lideranças do nosso partido. Isso não signfica que temos de abrir mão, desde já, do nosso projeto.

- Que erros a oposição cometeu na campanha presidencial? 
A avaliação recorde do presidente Lula pesou mais do que qualquer erro ou acerto da oposição.

- Não houve erros? 
Não dá para analisar esse processo apenas pela eleição. O grande erro da oposição, nos oito anos de mandato de Lula, talvez tenha sido a decisão de deixar o Lula sangrar no primeiro mandato.

- Refere-se à crise do mensalão? 
Exatamente.

- Acha que deveria ter sido requerido o impeachment? 
Creio que o Lula não seria impedido, mas teríamos cumprido nosso papel constitucional se tivéssemos encaminhado o pedido.

- Havia elementos que justificassem? 
Sem dúvida. Havia uma declaração do Duda Mendonça, com provas, de que o PT tinha feito pagamentos no exterior. Caberia à gente cumprir o nosso papel, independentemente do resultado.

- A quem se deve a não formalização do pedido de impeachment? 
Quem defendeu a tese e liderou o processo foi o presidente Fernando Henrique. Mas todos aceitaram. Portanto, foi um erro coletivo. De outra parte, acertamos no bloqueio à tese do terceiro mandato para o Lula e no fim da CPMF.

- Acha mesmo que Lula desejou o terceiro mandato? 
Tenho convicção.

- De onde vem a convicção? 
Vem dos movimentos de lideranças do governo e dos ensaios feitos por pessoas muito próximas ao presidente. Ele foi obrigado a desmentir no momento em que sentiu que não haveria suporte no Senado para a aventura. 

- Sobre a CPMF, dois governadores tucanos –de Alagoas e Minas—, pregam a ressurreição do tributo. O que acha? 
Acho que cometem um erro. Somos radicalmente contra. Na eleição, todos evitaram tratar desse tema porque as pesquisas mostravam que o excesso de tributos era o item em que Lula obtinha a pior avaliação. Pior do que na saúde e na segurança pública. Devemos respeitar o eleitor. É preciso reduzir os impostos.

- Foi um erro não assumir claramente a defesa do legado de FHC? 
Não se trata de defender o Fernando Henrique, mas as reformas que nós ajudamos a aprovar e que significaram grandes avanços para o Brasil. Não ter defendido isso desde o primeiro dia foi um erro. Quem pode ser contra a privatização das telefônicas, que o Serra, aliás, defendeu com tranquilidade no segundo turno? Nosso partido não teria nenhuma dificuldade de fazer essa defesa.

- A que atribui a hesitação, que vem de outras eleições? 
Talvez à origem do PSDB. Fernando Henrique teve a sabedoria de, sendo um político vindo da esquerda, governar com teses mais à direita. O PSDB ainda se enxerga como legenda de centro-esquerda. O eleitor vê o partido como de centro-direita. 

- Isso foi aferido em pesquisa? 
Sim. De zero a dez, sendo zero mais à esquerda, cinco no centro e dez mais à direita, o PSDB é visto no número seis, próximo do DEM. O PSDB talvez ainda se veja no número quatro, sem compreender que, pelo que foi o governo Fernando Henrique, ele é visto pela sociedade no número seis. Nesse aspecto o Fernando Henrique tem razão. Quando você não defende sua própria história, não tem capacidade de se projetar para o futuro. A base de tudo é o que já foi realizado. E nós realizamos muito. O Plano Real elegeu e reelegeu o Fernando Henrique. É só lembrar como era o Brasil até 1993. O Lula aproveitou tudo. É preciso vriar essa página. 

- Não acha a campanha da oposição foi errática, próxima do Lula no começo e mais assertiva no final? 
É fácil falar depois do resultado. Todos nós projetávamos a Dilma com 30%, 35%. No meio da eleição, ela despontava com 60% dos votos válidos. Então, é fácil agora fazer análise de erros depois do acontecido. No meio do terremoto, é mais difícil. A perspectiva era de derrota no primeiro turno, o que gera desorganização de um lado e solidez do outro. Em cima daquele quadro, os erros foram menores do que os acertos. O peso do Lula desequilibrou o jogo.

ENEM: Ano após ano, um novo fiasco

Após o vergonhoso vazamento da prova e de dados sigilosos dos participantes em anos anteriores, desta vez a criatividade falou mais alto. Para surpreender os candidatos, o gabarito das provas estava em uma sequência diferente da disposição das questões. Numa semana em que a divulgação pela ONU do IDH dos países colocou o Brasil abaixo da maior parte dos já defasados países latino-americanos, essa notícia apenas confirma que nossa educação nunca foi prioridade no governo petista. Custava alguém ter feito a prova para testar? Se nem os formuladores da prova tem discernimento, é de se imaginar o nível dos estudantes. Lá vem o Brasil, descendo a ladeira...

Leiam a matéria no UOL.

Estamos de volta! E queremos sangue!

Após um breve recesso pós-eleitoral, voltamos descansados e procurando encrenca! Prometemos uma guerra sem trincheiras durante os próximos quatro anos!

Para motivar a turba:
Metallica: For Whom the Bell Tolls

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Saboreando a derrota

Encerrada a eleição presidencial, façamos uma breve análise dos resultados obtidos. Dividi o assunto por temas:

Presidência:
Numa disputa em que a poderosa máquina estatal desavergonhadamente bancou boa parte da campanha petista, e na qual o Presidente da República usou todo o peso de sua instituição a favor de sua candidata particular, a vitória de qualquer oposicionista seria dificílima. Se levarmos ainda em conta a diferença da qualidade técnica da campanha televisiva e o maior tempo de TV que Dilma teve no primeiro turno, tivemos uma disputa absurdamente desigual. Apesar de tudo isso, pouco mais da metade dos eleitores fez sua opção pela candidata do Lula e do PT. Dilma obteve 52,29% total de votos. O restante preferiu votar em Serra, em branco ou anular o voto. Isso sem contarmos as abstenções. Quando dizem que apenas 3% da população desaprova o Lula, algo de muito estranho está acontecendo. 
No mapa abaixo, vejam quem venceu em cada estado. Estados azuis, Serra. Estados vermelhos, Dilma.


Serra venceu em nada menos que 11 estados. São eles Roraima, Acre, Espírito Santo, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nada desprezível, não é mesmo? Este mapa, por sinal, é muito parecido com o mapa da eleição de 2006, quando Alckmin disputou com Lula, o que sugere a existência de 2 países diferentes dentro do Brasil. A conveniência de mantê-los amarrados como são hoje é algo bastante discutível, ao meu ver. Acho que isso merece uma análise mais séria e sem preconceitos. Um novo modelo federativo deveria ser pensado, para se dizer o mínimo. Já tivemos guerras por isso, não custa lembrar.

Estados:
Numericamente falando, a coligação governista venceu em mais estados. Se formos analisar o peso de cada estado, a oposição venceu de goleada. O PSDB e o DEM juntos, levaram 11 estados. São eles: Roraima, Amazonas, Pará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Vivem aí cerca de 52,3% do eleitorado brasileiro e está aí concentrado nada menos que 60% do PIB nacional. Lideranças estaduais fortes com capilaridade e caixa disponível serão importantes para um bom posicionamento em futuras disputas. Vejam no mapa abaixo a disposição dos estados quanto aos futuros governadores.

Congresso Nacional:
É aí que mora o perigo. A oposição saiu sem dúvida enfraquecida. O governo terá maioria para aprovar projetos e engavetar ou comandar CPIs incômodas. O PT terá maior facilidade para implantar seu projeto bolivariano de poder, através do nefasto Plano Nacional de Direitos Humanos, um nome bonitinho para um monstro que pretende enterrar de vez a Democracia e a Constituição Brasileira. Terão trabalho redobrado os parlamentares oposicionistas, a imprensa e a sociedade, no papel de barrar tentativas autoritarias do novo governo. Estejamos prontos.

Vejam nos gráficos abaixo a nova composição da Câmara dos Deputados e do Senado Federal:

Agenda Política:
Apesar da vitória da esquerda, os conservadores saíram mais fortalecidos do que nunca. Questões que antes passavam longe do debate, como o aborto e a religião, foram temas obrigatórios nestas eleições. Até o Papa entrou na refrega. Serra bateu no MST no horário eleitoral, e o Dilma fugiu do assunto como o Diabo foge da cruz (a comparação foi inevitável). 
Com décadas de atraso, os políticos descobriram que o brasileiro médio é conservador por excelência e não possui quem o represente no cenário político nacional. Abre-se uma brecha para que muitos conservadores enrustidos saiam do armário. Cabe à oposição, principalmente ao DEM, dar espaço e voz a eles. O Brasil deu seu recado.
Conservadorismo: Presidente americano Ronald Reagan e o Papa João Paulo II nos anos 80. Trinta anos depois, o Brasil acorda para o debate de valores.